VERALDO UM CARIOCA FEIRENSE PARA SEMPRE
Veloz, insinuante, drible difícil de ser contido e cruzamento sob medida do lado direito do campo, Veraldo Santos tomou conta da camisa sete do Fluminense, antes ocupada por jogadores de grande qualidade como Fontoura, Lió, Ivan Luis, Pinheirinho, Enaldo Rodrigues e Dagoberto, este que o antecedeu em 1963, na conquista do título de campeão baiano.

Foto: Arquivo Pessoal Veraldo Santos
Em 1964, o atacante nascido em Niterói, com passagens pelo Botafogo e Flamengo, aportou em Feira de Santana, aos 23 anos de idade para nunca mais sair da Princesa do Sertão. Cordial, disciplinado e dedicado ao que fazia, Veraldo, conquistou a admiração da torcida, dos colegas e da jovem Maria, com a qual contraiu matrimônio com um sincero “sim”, daqueles que garantem “na alegria e na tristeza, até o fim da vida”.
Por isso mesmo nunca mais deixou Feira de Santana, mesmo quando foi cogitado por outras equipes, como o Sport de Recife, para onde foi em 1966, juntamente com Mundinho e Onça, que voltaram com a honrosa faixa de vice-campeão pernambucano. Na verdade o alvo do Sport era Veraldo, mas como ele não quis ficar longe da família, o Fluminense cedeu Neves, que também trouxe a faixa de vice, conquistada no rubro-negro pernambucano.
De pouca conversa, apesar da extrema educação, Veraldo parou cedo como atleta, com menos de 30 anos de idade e foi cuidar de negócios, mas logo vieram convites e ele assumiu a condição de técnico de futebol.
Dirigiu com êxito a Seleção Amadora de Feira no Intermunicipal de Futebol e a equipe profissional do Fluminense, revelando vários atletas, dentre eles o zagueiro Jorginho. Mas, considerando a falta de estrutura existente, que o impediria de fazer o trabalho desejado, recusou vários convites, afastando-se do futebol profissional, limitando-se às peladas matinais, aos domingos, com amigos no campo do Colégio Estadual e no campo do Instituto de Educação Gastão Guimarães, onde ainda exibiu, até duas décadas atrás, muito das suas belas jogadas.
O falecimento de Veraldo Santos surpreendeu aos amigos que não sabiam do seu estado de saúde, já bastante abalado. Ele faleceu, em Salvador, dia 17 de novembro e foi sepultado no dia seguinte, nesta cidade. Deixou viúva d. Maria Santos e três filhos: Valéria, Marquinhos e Ilka. Marquinhos, canhoto e excelente jogador de bola, não quis seguir a carreira do pai.
*Por Zadir Marques Porto – Jornalista.
