HÉLIO ÍNDIO – UM CAPIXABA QUE SE TORNOU FEIRENSE.


Hélio Índio, em 1977, no Fluminense de Feira – Foto: Acervo Particular

Hélio Índio (Hélio Guilherme Gomes) vestiu muitas camisas no futebol profissional, mas foi no Fluminense de Feira que viveu seus melhores momentos, tanto assim que aqui se radicou e até hoje vive com a família. Nasceu em Baixo Gandu, município do Espirito Santo, vizinho a Minas Gerais e aos 15 anos, seu futebol chamou a atenção do desportista Pedrinho, dirigente do Fluminense do Rio de Janeiro, que o levou para o “pó de arroz”. Pouco tempo depois era o Botafogo que, de olho no atacante, fê-lo vestir a camisa alvinegra da estrela solitária.

Ele lembra, com precisão, seu ingresso no Fluminense carioca: “foi no dia 20 de setembro de 1970’”. Mas, foi no Botafogo que se destacou, entre jogadores experientes, e fez um grande amigo Ricardo Silva, com o qual voltaria a jogar no Fluminense de Feira. No time da estrela solitária carioca deixou de ser simplesmente Hélio, tornando-se Hélio Índio, devido à cor da pele morena e os cabelos fartos e muito pretos.

Em 1975 e 1976 defendeu o Carangola, de Minas Gerais, de onde foi para o CSA de Alagoas. Em 1977, veio para Feira de Santana. O Fluminense formava forte equipe para disputar o Campeonato Brasileiro, trazendo Valter, Fernando Silva, Nena, Ubirajara Mineiro, Fred, Caico, Eliberto, Roberto, Thirson, Beijoca e, também, Hélio Índio. Um ano depois ele estava de malas arrumadas para o Espírito Santo, onde atuou no Santos, de São Francisco e no América, de Linhares.

Em 1978, o caminho era Goiás, como titular do Rio Verde, que havia perdido o atacante Radar, para o Flamengo. Voltou ao tricolor feirense. Em 1979 jogou no Alagoinhas A.C. e logo resolveu parar. Foi então trabalhar no Supermercado Mendonça a convite do diretor Jairo Aragão, um excelente volante que o pai não permitiu se profissionalizar. Depois de 11 anos na empresa ainda trabalhou na Fingol, antes de se aposentar em 1995. Disciplinado, apesar da velocidade e intensa movimentação em campo, nunca se meteu em confusão e fez grandes amigos no futebol, citando Ricardo Silva, João Augusto e Aldacy, dentre outros.

João Macedo, Ariston Carvalho e Mário Porto, do Fluminense foram os melhores dirigentes. No Fluminense trabalhou com técnicos renomados como Paraguaio, Alencar, Geraldo Pereira, Pinguela e, em 1978, com Orlando Peçanha. Muitos gols marcados, mas sem a preocupação de contá-los. Dentre os mais bonitos e importantes, lembra os dois na vitória do Fluminense de 3 x 0 sobre o Alagoinhas, na seletiva para o campeonato brasileiro de 1977. “O segundo então, foi muito bonito” rememora.

Para Hélio Índio, o melhor técnico do Fluminense foi Orlando Peçanha e se fosse formar o melhor time do tricolor seria: Marcelino, Ubaldo, Aldacy, Fernando Silva e Valter ou Tião, Merrinho, Edinho Conceição (Ned), Thirso, Hélio Índio, Ricardo Silva e Tatá. Embora não se considerasse namorador Hélio Índio tinha suas paqueras e quando estava no Alagoinhas, sofria marcação cerrada de alguns dirigentes. “Tião (diretor de futebol) era assim. Às vezes eu estava conversando com uma garota e ele aparecia, pra lá e pra cá, ficava me seguindo. O Bacelar também, mas eram gente  boa” sorri.

É torcedor do Fluminense de Feira, Botafogo e Flamengo no Rio de Janeiro e se mostra  triste com o Touro na segunda divisão do futebol baiano. Viúvo – foi casado com a professora Miadali Oliveira Bonfim -, Hélio tem três filhos: Thessa, Caio Augusto e Eduardo Guilherme. Thessa, que sempre gostou muito de futebol, foi zagueira do time feminino do Fluminense que era comandado pelo saudoso radialista Jota Magno, mas deixou o esporte apesar de ser considerada uma atleta de qualidade.

Hoje, o antigo atacante limita-se a acompanhar o futebol pela televisão e conversar com amigos no bairro Brasília, onde é  muito querido. Na verdade o futebol profissional lhe deu pouco, como aconteceu com tantos outros atletas da mesma época. Os contratos eram irrisórios. Alguns clubes atrasavam ou não pagavam os salários, e não recolhiam o FGTS. “Hoje tudo é diferente, alguns jogadores ganham fortunas e a justiça age se houver irregularidade, mas valeu, fiz muitos amigos, foi um tempo feliz!” conclui.

* Por Zadir Marques Porto – Jornalista.

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