Depois do CBN26, neurocirurgia do Roberto Santos confirma resultado: publicação internacional e cinco pôsteres de destaque

Estudo sobre vírus Zika contra glioblastoma, conduzido por pesquisadores ligados ao serviço, foi publicado no Journal of NeuroVirology; entre os 14 trabalhos apresentados no Rio, casos raros e pesquisas originais mostram a profundidade da produção científica da residência.

Crédito: Divulgação

Quando o Serviço de Neurocirurgia do Hospital Geral Roberto Santos (HGRS) anunciou a participação de sua equipe de residentes e internos no XXXVI Congresso Brasileiro de Neurocirurgia (CBN26), realizado entre 11 e 15 de agosto no Rio de Janeiro, o número já impressionava: 14 trabalhos científicos apresentados por uma única equipe, vinda de um hospital público baiano. Passado o congresso, o desdobramento confirma que o volume vinha acompanhado de profundidade. Um dos trabalhos se transformou em artigo publicado em revista internacional. Outros cinco, apresentados como pôster, mostram a variedade de casos raros e pesquisas originais que sustentam a rotina do serviço.

O destaque é o estudo “Systematic review and multilevel meta-analysis of preclinical survival outcomes of Zika virus–based oncolytic therapy in glioblastoma”, publicado em 27 de agosto no Journal of NeuroVirology, assinado por Arthur Caribé Sena, Márcio Igor Santana, Vinícius Pinto Costa Rocha e Leonardo Miranda de Avellar. A pesquisa reuniu e analisou dados de seis estudos pré-clínicos sobre o uso do vírus Zika como terapia oncolítica contra o glioblastoma – um dos tumores cerebrais mais agressivos e de mais difícil tratamento – e encontrou um ganho de sobrevida estatisticamente significativo nos modelos experimentais avaliados, ainda que com variação relevante entre os estudos.

“O glioblastoma continua sendo um dos tumores mais difíceis de tratar, mesmo com cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Por isso buscamos caminhos diferentes, como a terapia com vírus oncolíticos. Nosso estudo reuniu e analisou os dados pré-clínicos disponíveis sobre o uso do vírus Zika contra o glioblastoma e encontrou um sinal de benefício de sobrevida relevante nos modelos experimentais. Não estamos anunciando uma cura, mas reconhecendo que existe um sinal científico que merece ser investigado com rigor – principalmente quanto à segurança e à forma de administração”, explica Leonardo Avellar, chefe do Serviço de Neurocirurgia do HGRS e um dos autores do artigo.

Entre os pôsteres apresentados no congresso, cinco casos dão a medida da complexidade enfrentada pela equipe no dia a dia do hospital: um relato de glioblastoma em uma criança de sete anos, apresentado por Andréa Silveira; um caso raro de neurocisticercose tumoral, apresentado por Maisa Santana Soares Damaceno; duas pesquisas originais sobre delirium em pacientes neurocirúrgicos – fatores associados e desfechos aos 30 e 90 dias, e a relação entre local de infecção e delirium – construídas a partir de uma coorte prospectiva e apresentadas por Julia Finotti Rocha; e um caso de meningocele intrassacral oculta, diagnosticado tardiamente em uma paciente adulta, também apresentado por Maisa Santana Soares Damaceno.

“Cada um desses pôsteres nasceu de um caso que passou pelas nossas mãos no dia a dia do hospital. Uma criança de sete anos com glioblastoma, um caso raro de neurocisticercose tumoral, uma malformação rara diagnosticada tardiamente em uma paciente adulta – internos e residentes transformaram cada um desses casos em pergunta científica e defenderam isso lado a lado com os grandes centros do país. Foi um desempenho excepcional”, afirma Avellar.

Para Julia Finotti Rocha, residente do serviço e autora de dois dos trabalhos apresentados, o diferencial está no método. “Os dois trabalhos que apresentei nasceram de uma coorte prospectiva que construímos observando pacientes internados após neurocirurgia. Não é um relato pontual, é um acompanhamento real ao longo do tempo – e poder discutir esses dados com neurocirurgiões de todo o Brasil, em pé de igualdade, mostra que a pesquisa que fazemos no Roberto Santos tem consistência”, diz.

Catorze trabalhos apresentados, um artigo publicado em revista internacional e cinco pôsteres que atravessam da oncologia pediátrica à parasitologia, passando por pesquisa prospectiva sobre delirium e malformações congênitas raras: o resultado confirma o que a equipe já apontava antes do congresso – ciência de ponta também se faz dentro do SUS, na Bahia.

* Fonte: Louise Cìbelle – Agência Lüminar8

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