SEQUESTRO DE ZEZÉ FALCÃO

Um mistério de 34 anos.

Mês de abril. Micareta. Época de espairecer, brincar, mas para os que vivem em Feira de Santana desde a década de 80, há motivos para lembrar com expectativa e um ponto de interrogação. Na noite de sexta-feira, 14 de abril de 1989, há 34 anos, era registrado o misterioso sequestro do rico empresário Edmundo José Leite Falcão, conhecido como Zezé Falcão. A micareta estava começando naquela noite quando, pouco depois das 21 horas, o empresário que saia da casa de uma amiga na rua Desembargador Filinto Bastos (Rua de Aurora), foi surpreendido por dois homens jovens – um deles barbudo -, e obrigado a  entrar no Passat vermelho, ano 1988, quatro portas, placa  FK 1981, de sua propriedade. Ele nunca mais ele foi visto.

Pouco depois das 23 horas, o automóvel foi abandonado na localidade de Pedreira, município de Santa Terezinha, ponto que dá acesso ao município de Lajedo Alto, a 110 quilômetros de Feira de  Santana. Nove horas após o sequestro, às 3 horas da madrugada de sábado, foi feito o primeiro contato com Edmundo José Falcão Júnior, filho do empresário. Com sotaque carioca o contatante, que se identificou como “Juarez”, voltou a ligar no dia 16. “Nós queremos U$500mil, e NCz$100mil em notas de NCz$50,00 (era época dos Cruzados Novos) . É uma dívida que esse verme vai pagar”, foi o que disse “Juarez”.

No dia 18 de abril, atendendo a um pedido da família, que queria saber da integridade física de Zezé Falcão, em uma ponte na BR-324,  próximo ao local onde o Passat foi encontrado, foi deixada uma garrafa plástica com uma carta desesperada do empresário apelando para que a família tudo fizesse pela sua liberação. No dia 27 de abril uma fita cassete, com gravação de seis minutos, foi deixada em um ponto da BR-324 com mensagem do empresário. “Agora estou sendo tratado bem pelos moços que estão me dando suco e bolacha” dizia ele na missiva.

Em 28 de abril de 1989, foi feito o último contato, quando o porta-voz dos sequestradores pediu urgência no pagamento do resgate que já havia sido integralmente conseguido pela família, como fora solicitado, mas o silencio tomou lugar às negociações e nada mais transpirou.  A família de Zezé Falcão tentou de todas as formas resgatá-lo, chegando a distribuir um cartaz com foto dele oferecendo NCz$ 150.000,00 a quem apresentasse informação que contribuísse para localiza-lo. No campo policial além das intensivas investigações da Policia Civil, houve a participação de uma equipe especializada, o Grupo Anti-Sequestro de São Paulo, todavia passados 34 anos o sequestro de Zezé Falcão, continua um grande mistério.

* Por Zadi Marques Porto – Jornalista.

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