POR SER ESTIMULANTE, TEVE O CONSUMO PROIBIDO, HOJE É PREFERÊNCIA MUNDIAL.

Descoberto de forma inusitada por um xeque iemenita na Etiópia, no Século X, o gahwab ou kahve, teve o consumo proibido em Meca e Medina pelo fato de  estimular o consumidor, mas a medida foi revogada pelo Sultão do Cairo e dai em diante espalhou-se pelo planeta. 

No Brasil, maior produtor mundial, o café chegou em 1727, oriundo  da Guiana Francesa, trazido pelo sargento Francisco Palheta.   

Considerada a bebida mais consumida no planeta, tendo o Brasil como maior produtor e exportador mundial,  pode parecer quo o café é um produto nosso, algo bem nativo como o açaí, que agora se expande, ganhando fama mundial, mas essa é apenas uma ideia, talvez por força da frequente presença do café na mesa do brasileiro e nos noticiários da televisão, quando se fala de economia e exportações.  O agradável e atraente cheiro do café torrado que o torna onipresente aqui ou alhures, tem origem bem distante e uma história interessante e ainda cabível de novos capítulos.

O café surgiu referencialmente  no Século X e teria origem como planta nativa das serranias da Etiópia, na região da cidade de Kaffa. A origem da palavra não é definida, falando-se do termo árabe gahwab, e do turco kahve para se chegar a café, mas independente de etimologia, o histórico existente confere  à Etiópia a introdução do café no Iêmen. Talvez seja lenda, mas é contado que o xeque iemenita Ash-Shadhili transitava por uma montanha quando observou um rebanho caprino bastante agitado o que  não era comum à espécie. Os saltitantes animais comiam  pequenos frutos que ele não conhecia.

Curioso Ash–Shadhili experimentou o fruto achando-o amargo, então resolveu ferver alguns deles, resultando em um chá forte. Nascia  assim, graças às cabras e  ao xeque iemenita a bebida mais degustada no planeta.   No Iêmen alguém teve a ideia de torrar os grãos surgindo assim a bebida em uma versão mais próxima da atual, mas ainda muito forte e amarga. Mesmo assim funcionando com um verdadeiro estimulante a bebida se espalhou ate Meca e Medina, cidades sagradas do Islã e de tal modo que proliferaram estabelecimentos onde ao café associava-se a jogos e diversões não recomendáveis, gerando protestos.

No dia 28 de maio de 1511, Bei Khayt, governador militar de Meca passando próximo a Caaba, onde fica a sagrada Pedra Negra, ouviu gargalhadas e verificou um grupo de cerca de 10 homens, da esquadra de guarnição da cidade, bebendo algo em uma caneca. ‘Alteza, é uma bebida inocente’, disse o sargento ao ser questionado. Considerando um desrespeito às regras então vigentes Bei Khayt, determinou cinquenta chicotadas em cada um dos integrantes da guarnição que bebiam  o kahve ( café), Depois de sete dias de reuniões e discussões com professores, juízes de direito, médicos e principais autoridades da Síria e Egito, foi definido pela Comissão do Café, que a bebida não mais poderia ser servida em público. No mesmo dia todas as casas de café foram fechadas, os proprietários presos e os estoques do produto apreendidos.

A decisão quase provoca uma guerra,  o sultão do Cairo determinou a revogação da lei pelo governador e o uso do café cresceu rapidamente. Em 1554 surgiu a primeira cafeteria em Constantinopla. Em 1582 o medico alemão Leonhardt Rauwolf em viagem ao Oriente Médio, registrou o consumo da bebida chaube pelos muçulmanos. Mas o uso do café na Europa demorou cerca de um século e coube ao polonês Franz Georg Koischitzky instalar a primeira  cafeteria em Viena, Áustria  em 1683.

O Brasil representa um capitulo notável na historia da bebida numero um do planeta. Em 1727 o sargento-mor Francisco de Melo Palheta estando na Guiana Francesa conseguiu uma muda de café, cuja saída daquele país era proibida e introduziu essa  espécie vegetal no território brasileiro. Sobre o fato há duas versões: uma diz que Palheta contrabandeou a muda de café, através da Amazônia, enfrentando enormes perigos a outra contesta, relatando  que o governo da Guiânia cedeu oficialmente um arbusto de café ao emissário brasileiro. Fato é que o Brasil é o maior produtor e exportador de café do planeta com importante participação na economia do país.

* Por Zadir Marques Porto – Jornalista.

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