ASSIM É A VIDA
TIM E O MICRO ASSALTANTE
Por Zadir Marques Porto
Tempos bicudos, desemprego grande no país, e o bom Tim – não era o Tim Maia -, de olho numa morena, que também estava de olho nele. Mas, sem grana, ou “recursos para investir” como gostam de dizer os políticos, o nosso herói adiava o encontro tão desejado. No bar do Leo, onde passava sempre, Tim expôs sua situação e o comerciante, disposto a ajudá-lo, garantiu: “pode deixar Tim vou batalhar para conseguir um emprego para você”.
Coincidência ou não, no dia seguinte o professor André, proprietário de um respeitado curso universitário telefona: “Leo, amanhã vou inaugurar um novo prédio, quero a sua presença, mas peço um favor também, consiga um rapaz para a segurança. Alguém da sua absoluta confiança”. E a resposta não poderia ser outra, “deixe comigo André”. De imediato, ligou para Tim dando a boa noticia. Cedinho, barba feita, um jeans legal, nos seus 2 metros e cinco centímetros de altura, cinco do belo sapato de bico fino, parecendo o goleiro do Manchester City, Tim saiu para se apresentar ao professor. Ia feliz cantando baixinho “Severina xique-xique”. De repente algo duro encosta no seu bumbum e uma voz de “menino querendo ser homem” vocifera “é um assalto grandalhão entregue tudo”. De pronto pensou ser uma brincadeira da meninada da rua, até porque ouviu a voz, mas não viu ninguém. “Anda seu poste da Coelba!”
Olhou bem para baixo e viu que não era uma brincadeira. Ali estava um “gigante” de 1.25 cm de altura, empunhado um pesado revolver 38, que segurava com as duas mãos. Tim, que nunca fez mal e nunca pensou em coisa errada, ficou sem ação e o micro assaltante, “vamos rapaz que eu não tenho tempo para perder com você, avia, preciso trabalhar!”. Trêmulo, Tim anuncia “eu só tenho 21 “real”, meus documentos e o celular aqui no bolso, pode levar tudo”. O meliante tentou aliviar a vítima, mas como sua mão não alcançava o bolso traseiro da vítima ordenou: “deitado, no chão, de costas, bumbum pra cima!”. Tim lembrou o sargento Renato quando serviu ao Exercito e de pronto jogou-se ao chão. André Careca e Tatai, que passavam distante ficaram estupefatos “Meu Deus, é o Tim e um sujeito pequeno em cima dele, no meio da rua!” e lógico, pensaram o pior. Tatai foi objetivo “é assim mesmo cada um faz o que gosta, mas nunca pensei isso de Tim!”
Com um telefone emprestado Tim ligou para Leo.
Estavam na Delegacia de Polícia, no Jomafa, quando o professor André ligou “Leo estou precisando do rapaz que você falou, mas ele ainda não apareceu”. E, após as explicações, um tanto decepcionado e aborrecido o conhecido professor argumenta “mas Léo, você disse que ele tem mais de dois metros de altura, é bonito, parece um galã, é destemido, não tem medo de nada e é assaltado por um nanico de um metro de altura? Pode deixar Léo. Aliás Leo, se você conhecer o anãozinho mande ele me procurar!”
