BANCOS – ALTOS LUCROS E DEMISSÕES
Em absoluto contraste com os lucros bilionários auferidos a cada balanço, o sistema bancário brasileiro continua fechado agências e reduzindo os quadros de funcionários com sensível prejuízo para economia nacional. De acordo com órgãos classistas no período 2019 a maio deste ano, 178 unidades bancárias foram fechadas na Bahia, o que representa centenas de trabalhadores fora dos seus postos de atividade.
Nos primeiros cinco meses deste ano (janeiro/maio) foram desativadas 17 agências de empresas bancárias no estado. Observa Edmilson Cerqueira, diretor de Comunicação do Sindicato dos Bancários de Feira de Santana, que há 15 anos a cidade contava com cerca de 1.500 bancários e no que pese o acelerado desenvolvimento do município e o natural aumento populacional a categoria vem sendo reduzida, por conta das demissões e fechamentos de agências. Hoje, segundo disse, são cerca de 800 bancários na cidade.
O avanço tecnológico e digitalização dos serviços, conforme Edmilson Cerqueira são os argumentos dos bancos para justificar a política de fechamento de agências em total desrespeito ao cliente que é empurrado para a terceirização através de correspondentes e agências autônomas de crédito. Esse modelo aplicado cada vez mais, além de provocar a redução de postos de trabalho, força a prática do autoatendimento. Em Salvador, conforme o presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia, Augusto Vasconcelos, seis agências já foram fechadas este ano.
Edmilson Cerqueira reforça o questionamento salientando que no ano passado (2022) o Bradesco registrou um lucro superior a R$20,7 bilhões e o Itaú um lucro de R$30 bilhões, não se justificando, em hipótese alguma, a política de fechamento de unidades e redução dos quadros de trabalhadores.
Ressalta o sindicalista que os bancos estão apenas visando lucros sem observar o papel social que lhe é atribuído de forma lógica, pois devem cuidar do bem estar da população que se utilizada dos seus serviços, até porque boa parte dela ainda não acompanha a moderna tecnologia, como por exemplo, o uso de aplicativos. Sugere Edmilson que os clientes que sofrem com o atendimento de determinadas agências denunciem aos órgão competentes como forma de contribuir na luta dos órgãos sindicalistas.
* Por Zadir Marques Porto – Jornalista.
