CAI A LEITURA DE JORNAIS E REVISTAS  

O avanço da tecnologia nos últimos anos, trazendo incontestáveis benéficos para a humanidade, gera mudanças expressivas nos hábitos sociais e uma das mais sentidas é a retração no nível de leitura de jornais, livros e revistas, principalmente entre o público mais jovem, que adota, como meios de informação, prioritariamente, a internet e o telefone celular.

Para mensurar essa situação basta visitar os jornaleiros (banca de revistas) locais. Instalado há 35 anos, com uma banca na Avenida Getúlio Vargas, em frente ao Emec, o paulistano Oswaldo Martins é testemunha inexorável  dessa mutação. Lembra  que quando chegou à cidade há 50 anos, “eram mais de 30 bancas de jornais”. Ele veio de São Paulo a convite do primo Romildo Brito, já falecido, que trabalhava na venda de jornais e revistas e chegou a ter a distribuidora Coqueiro, na Rua Boticário Moncorvo.

Memória afiada, ele lembra do comerciante Oswaldo Cruz, que foi o primeiro e maior distribuidor de revistas e jornais  da região, instalado na Rua  Visconde do Rio Branco, esquina com a Avenida Getúlio Vargas. Depois, já com a própria  banca, em frente ao EMEC, Oswaldo Martins rememora que tinha um público muito grande diariamente e aos domingos, o fluxo ainda era maior. A venda de jornais movimentava as bancas que recebiam publicações de Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo e de outras capitais, além  de jornais locais.

“Eu vendia todos os jornais e  aos domingos, só de um deles (A Tarde) vendia entre 90 e 100 exemplares” lembra Oswaldo Martins. Do mesmo modo as revistas, incluindo as de quadrinhos, tinham grande saída.  Hoje com apenas um diário de Salvador circulando aos domingos, ele consegue vender 25 exemplares. Muitas revistas famosas deixaram de circular e as existentes apenas ficam expostas, como um memorial de um tempo em que a  população era muito menor e o nível de leitura era maior o que ele atribuiu ao avanço da tecnologia.

Essa também é a opinião da educadora Lúcia Martins. “Eu uso a internet e o celular, é verdade, e isso reduz o nível de leitura, mas não deixo de ler de maneira alguma, é imprescindível”, garante, embora mais focada em revistas de palavras cruzadas e similares, como forma de exercitar os conhecimentos. O comerciante  Carlos Ferreira, garante que continua lendo bastante. “Desde muito jovem adquiri o hábito. Meu pai era assíduo na leitura de jornais e revistas como O Cruzeiro, Detetive e Revista do Esporte (já não existem) e Seleções de Reader’s Digest, essa, por exemplo, eu leio até hoje” garante.

Ainda para retratar o cenário da leitura de jornais e revistas na cidade vale lembrar que das cerca de 30 ou mais bancas existentes entre os anos de 1950/1990, hoje sobrevivem menos  de uma dezena sendo que duas delas trabalham com revistas e livros usadas (tipo sebo) o que é insignificante levando-se em conta a população fixa de Feira de Santana estimada em quase 700 mil habitantes.

* Por Zadir Marques Porto – Jornalista.

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