CASAMENTO GRAÇAS AO KOHOUTEK
Em 1973 o casamento com a noiva, Maria do Carmo Oliveira, natural de Juazeiro, estava certo, mas faltava o principal: o dinheiro. Foi ai que veio a ajuda espacial, verdadeiro milagre, como ele observa! A anunciada passagem do Cometa Kohoutek ameaçava a Terra “se a cauda do cometa atingisse, o planeta seria destruído. Mas o cometa passou a 153 mil quilômetros da Terra” lembra. O importante é que o cordel sobre o evento “A Terra vai brilhar novamente com a vinda do cometa Kohoutek”, de Rodolfo Coelho Cavalcante, “vendeu como água no deserto” e o casório em Feira de Santana foi realizado com muita festa.
Outro fato interessante contado pelo cordelista foi a transferência de sua família, de forma definitiva para esta cidade, em 1986. A situação era difícil em Capim Grosso e ao receber convite “eu trouxe a família, esposa e seis filhos, na mesma hora, deixando um cuscuz pronto para cozinhar. A casa era alugada e o dono ligava, mas só pude voltar 90 dias depois. O cuscuz estava preto e a panela destruída pelo sal” lembra sorrindo. De bom humor ele não esquece os amigos que o ajudaram, bem como aqueles que atrapalharam, um deles o folheteiro Dilson ‘‘sumiu com uma mala cheia de material que eu iria vender, na época tive que sair do ramo”. Cordelista, folheteiro, palestrante, conhecedor da história do cordel e de Lampião, que ele representa, como bom ator, em shows e até em filmes, Jurivaldo Alves é uma figura já notabilizada na cidade e no Nordeste, pelas constante andanças em eventos relacionados com o cordel e o cangaço. No Mercado de Arte Popular (MAP) – Cordelteca do Folheteiro Jurivaldo Alves -, ele nunca deixa de atender ao público, falando sobre temas, como a saga de Lampião (Virgulino) e tantos outros constantes na literatura popular.
A cordelteca (biblioteca de cordel) de Jurivaldo, com mais de 4.200 títulos é a mais completa que se tem notícia, reunindo raridades como : Zezinho e Mariquinha (de Silvino Pindauá Lima), obra apontada como o primeiro cordel produzido no Brasil, A História da Donzela Teodora (Leandro Gomes), que seria o primeiro cordel escrito no mundo, pouco depois do ano de 1.600 em Portugal, retratando um fato real. São também famosos: “O Sino da Torre Negra” (Delarme Silva), O Cachorro dos Mortos (Leandro Gomes), ABC dos Namorados (Rodolfo Coelho Cavalcante), Carta de Satanás a Roberto Carlos (Enéias Tavares), Encontro de Cancão de Fogo com Pedro Malasartes (Minelvino Francisco Silva), O Verdadeiro Romance do Herói João de Calais (Severino Borges), João Acaba Mundo e a Serpente Negra (Minelvino Silva), Vicente o Rei os Ladrões (Manuel d’Almeida Filho), Os Dois Amigos Leais (Manoel d’ Almeida Filho), História de Juvenal e o Dragão (Leandro Gomes).
* Por Zadir Marques Porto
