Dia da Saúde Ocular (10/07): especialista revela que doenças silenciosas ameaçam a saúde ocular na Bahia.

O glaucoma tem alta incidência e casos evitáveis de cegueira ainda persistem em áreas rurais.

ICB – Crédito: Cris Fraga

No dia em que se celebra a Saúde Ocular, 10 de julho, um alerta importante chega dos consultórios médicos para toda a população: cuidar dos olhos não é luxo, é necessidade. “Cerca de oitenta por cento das informações do ambiente são captadas pela visão”, enfatiza a Dra. Fátima Neri, oftalmologista e coordenadora do consultório médico do ICB –  Instituto de Cegos da Bahia.

O panorama da saúde ocular na Bahia revela desafios significativos. O estado apresenta uma prevalência alarmante de glaucoma, especialmente o de ângulo aberto, que tem importante componente hereditário e afeta com maior frequência pessoas negras — grupo expressivo na população baiana. “Quando a pessoa percebe que há algo errado, o dano já está avançado e pode não ser mais reversível”, alerta a especialista.

Além do glaucoma, a catarata permanece como a principal causa de cegueira reversível, afetando milhares de baianos, principalmente idosos. A retinopatia diabética também apresenta números preocupantes, consequência direta da alta incidência de diabetes na população. Erros refrativos não corrigidos — como miopia, hipermetropia e astigmatismo — prejudicam significativamente a qualidade de vida e o desempenho escolar, principalmente entre crianças.

Fator regional

Uma peculiaridade regional é a alta incidência de pterígio — lesão benigna na conjuntiva ocular — associada à intensa exposição solar característica do clima tropical baiano. Mais preocupante ainda é a situação em áreas rurais com acesso limitado aos serviços de saúde, onde ainda persistem casos de cegueira evitável por catarata e complicações oftálmicas não tratadas precocemente.

ICB – Crédito: Cris Fraga

O Instituto de Cegos da Bahia atua em múltiplas frentes para enfrentar esses desafios. “Realizamos vários mutirões para avaliação e tratamento precoce das patologias que levam à deficiência visual como glaucoma, retinopatia diabética e hipertensiva”, explica Dra. Neri. Um destaque é o programa de follow-up, que acompanha recém-nascidos com fatores de risco como anóxia perinatal, prematuridade e sorologias positivas para citomegalovírus, toxoplasmose e sífilis.

Diagnóstico e tratamento

“A detecção precoce é fundamental. Sinais como visão embaçada súbita, vermelhidão, dor nos olhos, sensibilidade à luz, pontos escuros no campo visual, flashes de luz e manchas brancas exigem avaliação médica imediata. Quanto à frequência das consultas, a orientação é clara: “A criança quando nasce realiza o teste do olhinho ainda na maternidade e deve realizar o exame completo com um oftalmologista até o sexto mês de vida”, orienta a médica. Adultos e idosos devem realizar exames anuais, com frequência maior para pacientes com condições específicas.

Para além do tratamento médico, o ICB trabalha intensamente na inclusão social das pessoas com deficiência visual. “Realizamos a habilitação e reabilitação visual com equipe multidisciplinar, programa terapêutico individualizado, aulas de braille, informática acessível, orientação e mobilidade, música, além de oficinas culturais e esportivas”, detalha a coordenadora. A instituição também oferece cursos de formação para professores da rede municipal, favorecendo a inclusão educacional.

No dia a dia, hábitos simples podem fazer grande diferença na manutenção da saúde ocular. Entre eles, evitar coçar os olhos, cuidar da higiene e da qualidade dos produtos de maquiagem, usar proteção contra raios UV, controlar adequadamente o diabetes, fazer pausas no uso de telas, e manter uma alimentação rica em ômega 3 e vitaminas A, B, D e E.

“A saúde ocular é importante para uma boa qualidade de vida, promovendo bem-estar físico e mental. É essencial adotar na rotina diária hábitos saudáveis e realizar consultas oftalmológicas regularmente, para preservar a saúde dos olhos e desfrutar de uma boa visão ao longo da vida”, recomenda a médica, reforçando que o cuidado com os olhos deve ser uma prioridade constante, e não apenas uma lembrança no dia 10 de julho.

* Fonte: Tainara Carvalho – Texto & Cia.

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