Febre maculosa: especialista alerta para necessidade de prevenção da doença.
Apesar de não ser uma doença endêmica na Bahia, o estado já registrou 13 casos; todos sem confirmação .
A chegada do mês de junho traz uma preocupação em relação a uma doença bastante comum neste período do ano: a febre maculosa. A doença é transmitida pelo carrapato-estrela ou micuim, infectado pela bactéria Rickettsia rickettsii. O carrapato-estrela não é a espécie que normalmente encontramos em cachorros, ela é mais comum em animais de grande porte, como bois e cavalos, aves domésticas, coelhos, gambás e, especialmente, a capivara. O alerta se acende ainda mais nessa época do ano devido ao número de viagens para o interior ou para outros estados, seja por causa das festas juninas ou das férias escolares.
Apesar de não ser uma doença endêmica na Bahia, é importante o alerta para evitar contaminações. Em 2023, a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) já registrou 13 casos da doença no estado, sendo cinco em Salvador, quatro em Nova Ibiá e um em Conceição do Jacuípe, Feira de Santana, Santo Antônio de Jesus e São Felipe, com todos tendo sido descartados posteriormente.
No Brasil, os números de casos costumam ser maiores em locais de clima mais frio e de mata, principalmente nas regiões Sudeste e Sul. Para a transmissão, o carrapato-estrela precisa ficar ao menos quatro horas fixado na pele da vítima, sem haver a possibilidade de transmissão de uma pessoa para outra. Nos casos de viagem, principalmente para locais onde há ocorrência de transmissão, os carrapatos, por serem pequenos, podem acabar vindo escondidos em alguma roupa ou no próprio pet.
“É importante lembrar que, às vezes, o carrapato não é visto e a picada pode não ser percebida”, alerta Fernanda Vizeu, professora do curso de Medicina Veterinária da UNIFACS. Nesses casos, é preciso buscar ajuda médica assim que notar o surgimento dos sintomas da doença: febre, dor de cabeça, vômito, diarreia, manchas avermelhadas pelo corpo, dentre outros. “Os sintomas normalmente começam a aparecer de 2 a 14 dias após a picada do carrapato-estrela infectado”, conta a especialista.
Outras infecções
A febre maculosa não é a única doença transmitida pelo carrapato em humanos. No Brasil, segundo informações da Fiocruz, os tipos mais comuns são a síndrome de Baggio-Yoshinari, também conhecida como doença de Lymie símile brasileira, e a febre Q. Há também aquelas patologias que são mais raras, como a doença de Powassan e a tularemia.
Já os cachorros costumam sofrer com a babesiose e a erliquiose, além de outras doenças como rangeliose, hepatozoonose e anaplasmose. As duas últimas também bastante comuns em gatos.
É importante ressaltar que a transmissão de qualquer doença de carrapato acontece no processo da alimentação, quando os microrganismos patogênicos são transmitidos juntamente com a saliva.
Cuidados são importantes
Para quem vai viajar, principalmente para lugares onde haja áreas verdes perto de lagoas e lagos ou a presença de cavalos e capivaras, hospedeiros mais comuns do carrapato-estrela, é importante adotar alguns cuidados. O principal deles é usar sempre repelente em si mesmo e em seus animais domésticos.
A professora Fernanda Vizeu lista outras práticas de prevenção que devem ser adotadas. “Usar roupas claras, que facilitam a visualização de carrapatos, usar calças e blusas de manga longa ao caminhar em regiões gramadas e arborizadas e manter a proteção do seu pet também, usando medicamentos de prevenção e controle de carrapatos”, afirma a especialista.
É necessária uma atenção também em casos em que seja necessária a extração de um carrapato encontrado na pele. “Essa remoção deve ser feita com uma pinça e o local deve ser lavado com água e sabão ou álcool”, alerta Vizeu.
Sobre a UNIFACS
Fundada em 1972, a UNIFACS é integrante do maior e mais inovador ecossistema de qualidade do Brasil: o Ecossistema Ânima. A Instituição oferta formação em todas as áreas do conhecimento, incluindo a Medicina, que faz parte da Inspirali, um dos principais players de educação continuada na área médica do país. A universidade tem mais de 50 anos de investimentos constantes em educação e atenção às demandas sociais, na Bahia. Uma das principais instituições de ensino superior no Nordeste, também tem mais de 15 anos de atuação em Feira de Santana. A UNIFACS também contribui para democratização do Ensino Superior ao disponibilizar uma oferta de cursos digitais com diversos polos dentro e fora do estado. São mais de cinco décadas de muitas realizações e a universidade acredita que, nas próximas décadas, é possível fazer muito mais na Bahia e com a Bahia.
* Fonte: Julina Vital – Jornalista.

