ÍDOLOS DE SEMPRE

(*Por Zadir Marques Porto)

O FUTEBOL PROFISSIONAL DESILUDIU ADILSON

“Os tempos eram outros, o futebol também. Hoje aquela geração estaria rica, muito rica mesmo”. A observação é de Adilson (Adilson Barreto Martins) que foi volante do Vitória e do Fluminense, parando cedo, desencantado com o futebol profissional. Irmão de Val (Walter Barreto Martins da Silva), titular do Fluminense e do Galícia, assim como ele Adilson começou no Mecânico e seu futebol técnico e elegante chamou a atenção da diretoria do E.C Vitória. Aos 18 anos de idade ele deixou o futebol amador de Feira para assinar com o decano onde atuou durante quatro anos.

Interiorano, na época “tabaréu”, Adilson se deparou com um ambiente totalmente diferente. Aqui predominava a família e a amizade, no rubro-negro o espírito competitivo entre os atletas e pressão de veteranos, vindos de outras plagas. Outro problema: o titular da camisa cinco era Pinguela, jogador de grande prestígio no futebol nordestino. Mesmo assim, graças à qualidade do seu futebol, Adilson foi titular do decano, aonde chegou com 18 anos em 1958 e permaneceu durante quase cinco anos, quando veio para o Fluminense, parando três anos depois, ainda muito jovem apesar de antes ter recebido convite para defender o Vasco da Gama.

O ex-volante, há muitos anos totalmente afastado do futebol, diz que sua experiência no Vitória, teve aspectos de certo modo decepcionantes: “O material de treino era ruim, chuteiras e bolas remendadas. Depois dos treinos e jogos até as tolhas eram estragadas, não havia a comodidade necessária, nem locais apropriados para treinar. Independente disso, o material da época, chuteiras e bolas, era horrível, incomparáveis com o que existe hoje”. Já no Fluminense ele diz que foi outra coisa: “Tínhamos tratamento e material de primeira, graças a Juca (Juca Dias) e Tuta (Arivaldo Gomes Santana)” lembra.

Desiludido com o futebol profissional, mesmo tendo integrado o elenco do Flu, campeão baiano de 1963, Adilson decidiu deixar o futebol de forma definitiva aos 25 anos, até porque já havia casado com a professora Aracy. Filho de fazendeiro, ele preferiu cuidar da atividade pecuária. Fazendo uma sinopse da sua vida no futebol profissional, em especial no Vitória, ele observa que também houve momentos bons. “Quando cheguei ao rubro-negro, garoto ainda, o técnico era Pedrinho Rodrigues, que havia treinado o Fluminense e me conhecia. Ele me colocou para treinar entre os titulares garantindo ‘o garoto é bom e graças a Deus não o decepcionei”.  Outro bom momento, lembra, foi uma longa excursão do Vitória ao exterior: “Conheci três continentes sem nunca ter pensado nisso”. Afastado do futebol desde que “pendurou as chuteiras”, Adilson enfatiza as diferenças do futebol de sua época e o atual “se aquela geração fosse hoje estaria toda milionária’’. Muitos jogadores profissionais ganhavam salário mínimo e outros tinham empregos em bancos, órgãos públicos, empresas comerciais, para completar o valor do salário. Todavia, pior ainda era a estrutura dos times “hoje tudo parece um sonho. Os jogadores começam muito cedo, com nove, dez anos, a chamada base,  nada disso existia” conclui Adilson,    que vive feliz com a esposa e três filhos.

Zadir Marques Porto – jornalista

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