O padrão das lesões na Copa do Mundo: por que o torneio no Catar chamou atenção pelo alto índice?
Especialista da orienteme explica a causa dos grandes desfalques e as recuperações durante o torneio.
Com a Copa do Mundo do Catar chegando na sua reta final, é possível observar que o grande destaque deste torneio foram as lesões, antes e durante o evento. Mesmo que seja natural as seleções terem desfalques, esse ano foi acima da média, e existe uma explicação para isso.
O fator-chave deste alto risco é a ausência de um período de preparação, como ocorreu em edições passadas do Mundial, disputadas no meio do ano. Desta vez, as grandes ligas interrompem seus jogos apenas a uma semana antes da abertura da Copa. Além disso, alerta a FIFPro (Federação Internacional dos Jogadores Profissionais de Futebol), o impacto do calor no Catar, país sede dessa edição, e a sobrecarga acumulada na temporada anterior afetam o desempenho dos jogadores durante e no pós-Copa.
“Alguns jogadores são mais afetados fisicamente durante a partida pelo fato de atuarem em posições que exigem mais de sua condição física, porém é importante frisar que o futebol está cada vez mais competitivo e exigindo que os atletas atuem no limite da intensidades dos treinos. Os jogos, tempo inapropriado para recuperação e o calendário muito apertado entre uma competição e outra leva o atleta ao seu extremo, desencadeando desgastes e lesões musculares”, explica o nutricionista e educador físico, Wendell Timotio, parceiro da orienteme, healthtech que oferece saúde psicológica, nutricional e física aos colaboradores de empresas.
De acordo com um estudo realizado pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), as lesões musculares são as mais comuns na Copa do Mundo, representando 39,2% dos casos. Em segundo, vem as contusões, com 24,1%; e as tendinites, com 13,4%. Assim, lesões prévias em qualquer musculatura têm maior risco de ocorrer novamente, já que o tecido não se reconstitui 100%, tornando-se menos elástico e com maior chance de ruptura.
“As lesões que acometem os jogadores nas mesmas regiões afetadas estão mais relacionadas ao pouco tempo de recuperação da lesão. O problema é que esses jogadores são considerados como estrelas do futebol e por isso são muito bem pagos por empresas que os patrocinam, por este motivo perdem muito dinheiro quando ficam de fora dos holofotes e, para voltarem a jogar o quanto antes, provavelmente não fazem uma recuperação adequada”, aponta Wendell.
Desde antes mesmo da chegada das delegações no Catar, houve cortes por lesões. Grandes nomes como Sadio Mané, do Senegal, e Karim Benzema, da França, não jogaram o mundial. Outras seleções também não tiveram alguns craques em campo, como o caso do Marcos Reus, da Alemanha, devido a uma lesão no tornozelo, Nico González, da Argentina, e Philippe Coutinho, do Brasil. Já no segundo dia da Copa do Catar, o goleiro Alireza Beiravand, do Irã, se lesionou gravemente ao disputar a bola pelo alto e foi cortado.
As lesões no joelho, tornozelo, quadril relacionadas ao púbis e as fraturas normalmente são as mais graves e necessitam de um período mais prolongado para a recuperação. As fraturas por colisão entre jogadores são gravíssimas, porém, com tantas pesquisas e tecnologias envolvidas os jogadores ainda conseguem participar de eventos importantíssimos como a Champions League e a Copa do Mundo para depois realizarem a cirurgia.
A seleção brasileira, eliminada nas quartas de final, também teve problemas durante o torneio. Ao todo, cinco jogadores sofreram lesões desde o início da Copa do Mundo e dois, inclusive, precisaram ser cortados. Principal nome da Seleção Brasileira, Neymar Jr. sofreu uma entorse no tornozelo direito na estreia contra a Sérvia. Ele iniciou tratamento e foi desfalque nos dois jogos seguintes. O quadro, no entanto, evoluiu bem e ele jogou as partidas seguintes. Danilo também sofreu uma entorse no tornozelo ao jogar contra a Sérvia, mas se recuperou a tempo de competir contra a Coreia do Sul. Alex Sandro, por outro lado, teve uma lesão no quadril, ficou de fora dos jogos, mas entrou na prorrogação contra a Croácia. Gabriel Jesus e Alex Telles foram cortados após derrota contra Camarões.
O caso mais recente é do jogador Son, do da Coreia do Sul, que fraturou a face ao competir pelo Tottenham e teve complicações no globo ocular. Porém, após um processo cirúrgico o quanto antes para participar da Copa do Mundo, ele necessitou do uso de uma máscara facial de proteção para poder estar em campo.
“Com o avanço da medicina, raras são as lesões que impossibilitam os jogadores de retornar aos gramados”, finaliza Wendell.
Sobre a orienteme
A orienteme é uma plataforma de saúde corporativa que mapeia a saúde da população da empresa, realiza o atendimento aos colaboradores de forma personalizada com psicólogos,nutricionistas e orientadores físicos licenciados, disponibilizando um portal corporativo exclusivo em tempo real para as empresas acompanharem a evolução da saúde de seus colaboradores. Vencedora do prêmio Creator Awards da WeWork, atende grandes empresas e seguradoras como Unimed, Bradesco Saúde, Coca-Cola, P&G, Votorantim e Capgemini.
*Fonte: Alice Paschoal
