Outubro Rosa: futebol entra em campo para reforçar a importância da atividade física na prevenção do câncer de mama
Especialista explica como a prática de exercícios regulares é importante para reduzir riscos.
Neste Outubro Rosa, o futebol entra em campo por uma causa que vai além das quatro linhas: a prevenção do câncer de mama. Em parceria com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a campanha da Sociedade Brasileira de Mastologia terá como tema “A vida nos une. O cuidado nos move”. O mote reforça a importância dos cuidados com a saúde e abre espaço para uma mensagem que nem sempre recebe a mesma atenção que o diagnóstico precoce: a prática regular de atividade física também pode contribuir para reduzir o risco de desenvolver a doença.
Assim como o futebol mobiliza multidões, a ideia é mobilizar milhões de mulheres pela saúde da mama. “A associação entre esporte e prevenção ganha ainda mais força quando protagonizada por mulheres que têm no movimento e no condicionamento físico parte essencial de sua rotina. A iniciativa aproveita a visibilidade do futebol para levar a um público amplo a importância de incorporar hábitos saudáveis ao cotidiano”, afirma a mastologista Carolina Argolo, diretora nacional da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e coordenadora de Mastologia do Hospital Mater Dei em Salvador.
Nos estádios da primeira rodada do Brasileirão, em outubro, o slogan da campanha vai ganhar destaque em vídeos institucionais produzidos pela SBM. Nos telões, as mensagens vão associar prevenção, saúde e prática esportiva. Selecionadas pela entidade médica, 220 mulheres que venceram o câncer de mama entrarão em campo. Também simbólica é a bola rosa que vai rolar no gramado durante as partidas. E ninguém menos que Milene Domingues, ex-jogadora da Seleção Brasileira e recordista mundial de embaixadinhas, será a embaixadora da campanha da SBM.
Prevenir é sempre o melhor remédio
De acordo com a médica Carolina Argolo, a atividade física está entre os hábitos que podem contribuir para a prevenção do câncer de mama. “Existe uma relação bem estabelecida entre a prática regular de atividade física e a redução do risco de alguns tipos de câncer, incluindo o câncer de mama. O exercício contribui para o controle do peso corporal e está associado a mecanismos metabólicos e hormonais que podem influenciar o desenvolvimento da doença. Por isso, manter-se ativa é uma atitude de cuidado com a saúde que deve fazer parte da rotina”, explica.
A recomendação não significa que seja necessário praticar exercícios de alta intensidade ou esportes competitivos. Caminhadas, corridas, ciclismo, natação, dança, musculação e esportes coletivos são algumas das possibilidades para manter o corpo ativo. O mais importante, segundo especialistas, é reduzir o sedentarismo e encontrar uma atividade que possa ser incorporada de maneira regular à rotina.
A perspectiva de que mulheres obesas têm maior possibilidade de desenvolver câncer de mama tanto na pré quanto na pós-menopausa levam a SBM a considerar que muitas mulheres talvez estejam mais ameaçadas biologicamente pela obesidade do que pelo próprio tumor inicial que apresentam.
“Quando pensamos em uma campanha como o Outubro Rosa, é importante ampliar o conceito de prevenção. Não se trata apenas de realizar exames ou procurar atendimento diante de alguma alteração. Prevenção também envolve aquilo que fazemos todos os dias. O futebol feminino é uma imagem muito potente para mostrar que colocar o corpo em movimento pode ser uma escolha de saúde”, destaca a mastologista.
Atenção aos multifatores
Apesar dos benefícios, a atividade física não elimina o risco de câncer de mama. A doença é multifatorial e também envolve riscos que não podem ser modificados, como idade, histórico familiar e características genéticas. Por isso, hábitos saudáveis devem estar associados ao acompanhamento médico e às estratégias de rastreamento indicadas para cada mulher.
O diagnóstico precoce continua sendo fundamental. Alterações como nódulo persistente, mudança no formato ou na pele da mama, retração do mamilo ou saída espontânea de secreção devem ser avaliadas por um profissional de saúde. A mamografia, quando indicada de acordo com a faixa etária e o perfil de risco da paciente, permanece uma importante ferramenta para a detecção da doença em fases iniciais.
Ao levar a mensagem do Outubro Rosa para o universo do futebol, a parceria com a CBF ajuda a transformar a paixão pelo esporte em uma oportunidade de falar sobre saúde. A proposta é que a mobilização não termine com o apito final: o convite é para que mulheres de diferentes idades encontrem formas possíveis de se movimentar e mantenham os cuidados com a saúde ao longo de todo o ano.
“Assim como no esporte, em que a preparação acontece continuamente e não apenas no dia da competição, a prevenção do câncer de mama também precisa fazer parte da vida cotidiana. O Outubro Rosa é um momento importante para chamar atenção para o tema, mas o cuidado com a saúde da mulher precisa acontecer durante os 12 meses do ano”, conclui Carolina Argolo.
O câncer de mama é a neoplasia maligna mais incidente entre as mulheres no Brasil, responsável por 30% dos cânceres diagnosticados, e deve registrar mais de 78 mil novos casos a cada ano do triênio 2026-2028. A estimativa apresentada pelo INCA (Instituto Nacional de Câncer) contrasta com o levantamento anterior e indica aumento de ocorrência da doença. Em comparação ao período 2023-2025, o crescimento no número de casos de câncer de mama no novo triênio deve chegar a 5 mil novas ocorrências anuais, segundo projeção do INCA.
* Fonte: Andréa – Persona Comunicação 360

