PARA GALEGO SÓ EXISTE O FLUMINENSE
“O Fluminense é o time do meu coração. É o único pelo qual eu torço, amo e sofro como agora que ele está na segunda divisão”. A declaração sincera é de José Garcia de Castro “Galego”, ex-zagueiro tricolor e uma das joias reveladas pelo Touro, na década de 70, tornando-se oficialmente o “curinga” do time, já que atuava em todas as posições da defesa e meio de campo. Era só alguém se machucar, ou não poder atuar e lá estava ele cumprindo o papel determinado pelo técnico.
O bairro da Queimadinha, onde sempre viveu, foi também seu berço no futebol. Começou ali na Ponte Preta, de Nelinho e aos 16 anos foi levado para o juvenil do Fluminense. Seu bom porte, a técnica e, sobretudo, à vontade, chamaram atenção do técnico Geraldo Pereira. Magro, e até se achando raquítico, Galego foi morar na “casa do atleta” na Barroquinha. Ali convivendo com os profissionais e devidamente cuidado logo estava na seleção de Feira, campeã do Intermunicipal de 1975 ao lado de Aldacy, Laurentino e Tião, também cedidos pelo Flu. Aos 18 anos, ainda imaturo, estreou no time profissional num amistoso com o Vasco da Gama. Geraldo Pereira não se enganara, o garoto alto e cabeludo deu conta do recado. Meses depois jogava oficialmente pelo campeonato baiano contra o Vitória na Fonte Nova. Era titular mesmo!
Logo após, com a chegada do técnico Alencar, também despontaram Jânio (falecido), Edinho Conceição e Ned. Algumas propostas sugiram de clubes interessados no seu futebol, dentre eles o Vitória, mas a diretoria do tricolor bateu pé firme, “Galego é inegociável”. Só em 1980 depois de muita insistência, o Operário do Mato Grosso do Sul conseguiu leva-lo por empréstimo para a disputa do campeonato nacional. Depois, em 1982, nova saída para o Potiguar de Mossoró, Rio Grande do Norte, onde atuou ao lado de Maranhão Gomes (falecido), que também defendeu o touro. Esteve ainda no Leonico e Asa de Arapiraca, retornando ao Fluminense, onde parou de correr atrás da bola em 1984. No tricolor foram seis anos de bom futebol e dedicação.
Fora do futebol desde então, continua fiel torcedor do touro, mas leva a vida com tranquilidade ao lado da esposa Sandra Maria e do filho Wallace, que teve tudo para ser um profissional como o pai, mas não se interessou. Disciplinado em campo e fora dele, Galego, garante que não ganhou dinheiro no futebol, mas “faria tudo de novo”, porque ganhou amizades duradouras e popularidade “até hoje muitos falam comigo por onde passo” ressalta. Uma jornada de muitos bons momentos e alguns desagradáveis como o jogo do Fluminense com a Desportiva do Espirito Santo pelo campeonato nacional. Se o time capixaba vencesse o Vitória estaria fora das disputas. “Logo no início do jogo Beijoca, Caico, Geraldo e Fred caíram em campo. O jogo não pode continuar. Com isso a Desportiva saiu ficando o Vitória. A torcida capixaba reagiu de forma violenta e nossa delegação foi conduzida até o aeroporto de Vitória em camburões da polícia”. Outro caso que ele lembra foi num jogo com o Bahia na Fonte quando Beijoca, conhecido pela violência, agrediu o pacífico Oliveira, com um soco no rosto. Essa agressão encerrou a breve carreira de Oliveira, que estava sendo cogitado pelo Vasco da Gama.
Outro episódio marcante na vida de Galego foi um jogo com o Redenção de Brotas, no Joia da Princesa. “O Redenção era o lanterna e nos jogávamos pelo empate para a classificação. Perdemos de 1 x 0. Imaginem a torcida!” Galego, lembra com saudade o tempo do futebol profissional destacando como os melhores técnicos do touro: Geraldo Pereira, Alencar, Paraguaio e Walter Miraglia, que tentou levá-lo para o exterior, não sendo liberado pelo tricolor. Entre os dirigentes ela destaca: Ariston Carvalho, Eduardo Lacerda “Duzinho”, Edson Pedreira Ramos, Zeca Marques e Albérico Novais. Não há como comparar a organização do futebol atual com a das décadas de 70/80, observa Galego, especialmente em relação a salários. “Ganhávamos pouco, jogávamos pelo amor ao futebol e ao clube. Tive duas oportunidades de ganhar um bom dinheiro R$25 mil/mês, no Operário e R$ 50 mil/mês, no Potiguar, mas não recebia!”, finaliza Galego.
*Colaboração: Zadir Marques Porto (Jornalista)
