Perder alguns centímetros de altura pode ser sinal de osteoporose; veja por que a maioria dos casos passa sem diagnóstico
Reumatologista Dra. Ana Luísa Pedreira explica por que a queda de 2 a 4 cm na estatura, quase sempre atribuída à postura, pode ser compressão da coluna causada por osteoporose silenciosa, e por que a maioria dessas fraturas nunca chega a ser diagnosticada.

Você já mediu sua altura hoje e notou que está um pouco menor do que era há alguns anos? Para a maioria das pessoas, isso passa como um detalhe sem importância, “coisa da idade”, “postura que vai caindo”. Mas, em muitos casos, esses centímetros perdidos têm uma explicação concreta: uma fratura na coluna que já aconteceu, sem dor forte, sem acidente e sem que a pessoa tenha percebido.
O que esconde por trás dos centímetros perdidos
Segundo o estudo “Height Loss, Vertebral Fractures, and the Misclassification of Osteoporosis”, publicado na revista científica Bone e indexado no PubMed, a perda de altura é um dos indicadores mais confiáveis de fraturas vertebrais, muitas vezes mais sensível do que olhar isoladamente para o exame de densidade óssea. O MedlinePlus, do governo americano, reforça esse ponto: a osteoporose costuma não dar sintoma nenhum, e por isso médicos avaliam perda de altura, mudança de postura e equilíbrio como pistas indiretas da doença. A Fundação Internacional de Osteoporose (IOF), na campanha mundial de 2026, estima que apenas uma em cada três fraturas vertebrais chega, de fato, a ser diagnosticada: as outras duas passam despercebidas, muitas vezes por anos. No Brasil, o problema tem escala: segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde, repercutida pela Sociedade Brasileira de Reumatologia, cerca de 10 milhões de brasileiros vivem com osteoporose.
“É muito comum o paciente achar que está só ‘ficando curvado com a idade’ e não ligar isso a nada preocupante. Mas quando essa mudança de postura ou de altura é mais evidente, vem acompanhada de dor nas costas ou acontece em um intervalo de tempo curto, ela merece ser investigada: pode ser a coluna contando uma história de fratura que não foi diagnósticada”, explica Dra. Ana Luísa Pedreira, reumatologista e coordenadora de reumatologia na Clínica Amo.
Os sinais que merecem atenção e o exame que antecipa o problema
Diferente de uma fratura no braço ou no quadril, a fratura vertebral por fragilidade costuma ser quase indolor ou confundida com dor lombar comum, o que atrasa ainda mais o diagnóstico. Entre os sinais que pedem investigação estão a perda de altura mais evidente ou rápida, a dor persistente nas costas sem causa clara, a mudança visível na postura e, claro, qualquer fratura que aconteça com pouco ou nenhum trauma. A densitometria óssea, exame padrão para o diagnóstico da osteoporose, consegue indicar a perda de massa óssea com até dez anos de antecedência, antes que qualquer fratura aconteça, o que torna o exame uma ferramenta de prevenção, não só de diagnóstico.
Entre os fatores de risco mais associados a essa perda silenciosa estão a menopausa, sobretudo quando precoce, o histórico familiar de osteoporose ou fraturas, a idade avançada, a baixa ingestão de cálcio e vitamina D, o sedentarismo, o tabagismo, o consumo excessivo de álcool e, de forma relevante para quem é acompanhado por um reumatologista, o uso prolongado de corticoides no tratamento de doenças inflamatórias crônicas.
“Como reumatologista, vejo isso por dois lados: tenho pacientes que chegam com dor crônica na coluna e, quando investigamos, descobrimos uma fratura vertebral antiga que nunca tinha sido diagnosticada. E tenho pacientes em tratamento para doenças como artrite reumatoide ou lúpus, que usam corticoide por período prolongado e, por isso, têm o osso mais vulnerável: para esse grupo, o acompanhamento da saúde óssea precisa ser parte da rotina, não um exame isolado”, afirma Dra. Ana Luísa Pedreira.
Sobre Dra. Ana Luísa Souza Pedreira
Dra. Ana Luísa Souza Pedreira é médica reumatologista (CRM-BA 25288 | RQE Nº: 16028), coordenadora de reumatologia na Clínica Amo, doutora pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP), onde também atua como docente. Especialista no diagnóstico e tratamento de doenças reumáticas como artrite reumatoide, artrite psoriásica e espondilite anquilosante, dedica-se a ampliar o acesso de seus pacientes ao diagnóstico precoce e ao acompanhamento multidisciplinar dessas condições.
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