POETA FEIRENSE LANÇA ‘TRECHOS, TEXTOS E CONTEXTOS’

No cenário literário da Princesa do Sertão, como no universo, é impreciso o número de astros, tal a magnitude constelar. Não pelos anos luzes de distância, mas por outros fatores, sabidamente conhecidos, e que nada têm a ver com a astronomia: falamos da palavra escrita e de autores que a cada dia vão estrelando mais o céu literário sertanejo com ricas produções.  “Trechos, Textos e Contextos”, ilumina a nossa urbe e o nosso orbe, com o excelente trabalho de Djalma Dilton Bastos Vieira. Nativo de Bonfim de Feira, há muito tempo ele mexe com as letras, muito antes mesmo do computador e até da máquina datilográfica, pois que menino – criança mesmo -, usava o lápis (grafite) para externar o seu íntimo universo.

Na juventude Djalma Dilton não parou o seu exercício intelectual, quer como poeta, como  pensador ou mesmo como compositor, abrilhantando concursos musicais sempre nas primeiras colocações. Também produziu dois romances “O Gênio Amor” e “Tempos de Pergaminho”, infelizmente não publicados. Mas, ao lado dessa genialidade, aliava-se outra, talvez hoje pouca conhecida: Djalma Dilton “Djalminha” foi um ás com a bola nos pés. Respeitado pela velocidade e o drible desconcertante. Titular do Bahia de Feira, na época, início dos anos 1960, equipe amadora, mas com padrão de futebol profissional.

Não vamos fazer gloso sobre Trechos, Textos e Contextos. Preferimos que cada um, ao ler essa obra, faça sua análise, por não querer induzi-los ao nosso entendimento. Com qualificado prefácio da especialista em Estudos Linguísticos, Janine Araújo da Silva e posfácio do conceituado escritor Eduardo Kruschewsky, a obra transpira sentimento, amor, religiosidade e um convite expresso à reflexão que conduz à paz. Djalma Dilton não é só um vate que usa a rima como elemento principal do poema, ele aparece como um cronista que vai além do verso, narrando a vida – a sua e a de tantos outros que -, sem dificuldade, podem   localizar-se nos seus ditos. Ao lê-lo, pode-se sentir isso!  Livro produzido pela Editora Viseu, Maringá, Paraná, capa de Marcella Baldassin. Edição com 185 páginas. Da magnitude de tantos e expressivos poemas, retiramos e reproduzimos um pequeno trecho de “Procura-se um Amigo Como o Meu Travesseiro”.  Ei-lo: “Onde encontrar um amigo, que esteja sempre disponível a receber meu abraço; e em retribuição, ofereça o seu ombro para minha cabeça descansar; que mantenha o seu silêncio sem reclamar dos meus amassos; que ouça com paciência as minhas lamentações, os meus desabafos, as minhas insinuações; caso a noite se prologue, jamais me abandone…”

* Fonte: Zadir Marques Porto – Jornalista.

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