CATÁSTROFE FERROVIÁRIA DURANTE A II GUERRA MUNDIAL- MATOU MAIS DE 600 PESSOAS.

O mundo nem soube disso.

Vivendo sob o terror da II Guerra Mundial e tendo os meios de comunicação controlados, poucos souberam do maior desastre ferroviário até hoje ocorrido. A catástrofe de Balvano, na Itália, em 1944, que matou mais de 600 pessoas. O autor do crime: o monóxido de carbônio, produzido pela combustão do carvão de má qualidade.

O dia 2 de março de 1944, em Salerno na Itália, foi marcado pelo mais estranho e trágico desastre ferroviário até hoje registrado, mas quase desconhecido, já que era a II Guerra Mundial e os meios de comunicação, controlados, pouco do que ocorria podia divulgar.  O Trem 8.017 com destino a Nápolis, era do transporte de cargas, mas devido ao período de guerra, centenas de passageiros clandestinos o ocuparam – não se sabe exatamente quantos -, a maioria traficantes do mercado negro, mas muitos pais de família tentando conseguir alimentação.

Assim, o trem composto de 47 vagões, 20 deles de porta aberta, 12 apenas com carga os demais vazios, foi ocupado clandestinamente, mesmo com a fiscalização da polícia militar norte-americana. Em Eboli embarcaram 100 pessoas em Persano mais 400. Em Romagnano outra locomotiva foi engatada aumentando o número de passageiros. As duas locomotivas aumentaram a pressão nas caldeiras para a íngreme subida de Balvano. Na descida do túnel metade dos vagões do Trem 8.017 parou durante 38 minutos, ficando em densa cortina de fumaça até ser iniciada a subida  com o aviso de partida, transmitido para a estação de Bella-Muro distante apenas 20 minutos do túnel.

Pouco depois de uma hora da madrugada os dois maquinistas (eram duas locomotivas) morreram. Com as maquinas paradas e o túnel tomado por grossos rolos de fumaça, o drama ocorreu até porque, a maioria dos passageiros dormia nada percebendo. O guarda-freios Giuseppe De Venuto, conseguiu caminhar até Balvano e avisar : ’Lá, lá, sono tutti mortti, tutti mrtti‘ (Estão todos, mortos, lá todos mortos).

Aviso dado houve grande mobilização chegada de caminhões do exército e equipes médicas, mas a tragédia já havia acontecido. Sem armas, sem incêndio, sem descarrilamento, sem nada, mas de 600 pessoas morrem. O carvão de qualidade inferior, devido ao período de guerra-, provocou combustão imperfeita com quantidade elevada de monóxido de carbônio, inodoro e toxico. Centenas de pessoas morrem dormindo e foram encontradas com a fisionomia tranquila sem demonstrar o menor sinal de sofrimento. Os mortos – mais de 600 -, foram sepultados em duas valas uma para corpos masculinos a outra para corpos femininos. Pouco mais de 200 foram identificados.

* Por Zadir Marques Porto – Jornalista.

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