JORGE DE ANGÉLICA – O REGGAE SILENCIA
Feira de Santana perdeu no dia 30 de outubro, o compositor e cantor Jorge de Angélica considerado o principal pilar do ritmo jamaicano na cidade princesa pela sua historia, resistência e trabalho social desenvolvido no bairro na Rua Nova, consagrado como a Cidade do Reggae. Jorge de Angélica, 64 anos, assim artisticamente batizado em homenagem à sua mãe dona Angélica, sofria de um mal renal tendo sido internado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Hospital Geral Cleriston Andrade (HGCA) de onde seria transferido para um hospital em Salvador, mas não resistiu.
O reggaeman dedicava-se à música e no campo social mantinha um significativo trabalho visando a formação de novos artistas na comunidade onde viva, propiciando através do projeto Mão Angelical, aulas de instrumentos musicais, dança e teatro a jovens de famílias humildes. Sopa de Papelão, Gari, Cobra Coral e Bahia Negra foram seus principais hits, sempre com uma abordagem centrada no lado social, mas de forma harmoniosa sem agressividade. Ao lado dos cantores Dionorina e Gilsan, formou o tripé da Trilogia do Reggae.
O desaparecimento do reggaeman foi muito sentido no meio artístico não só pelo que ele representava musicalmente, como pelo respeito com que ele a todos tratava, fazendo amizades. O maestro Israel Exalto, líder da extinta banda IsraelStone, lembra que o conheceu nessa época “tornamo-nos amigos, um artista dedicado, sempre voltado para o reggae, ele fez um grande trabalho. Lamento profundamente”.
Autoridades como o governador Jerônimo Rodrigues e o prefeito Colbert Martins Filho, que decretou luto oficial de três dias no município, lamentaram o falecimento de Jorge de Angélica, sepultado no Cemitério Jardim das Flores com a presença de muitos amigos e admiradores.
* Por Zadir Marques Porto – Jornalista.
