UM CONTADOR DE HISTÓRIAS

Em lançamento pelo ouvidor da Câmara Municipal de Feira e ex-vereador da mesma Casa, Messias Gonzaga, o livro “Um Contador de Histórias” é surpreendentemente agradável, da primeira à última página, pelo conteúdo verdadeiramente documental, uma espécie de  autobiografia, retratando as diversas etapas da vida do autor, das quais, talvez a mais importante seja aquela que focaliza os seus cinco mandatos no Legislativo de Feira de Santana, a partir de 1981, quando se consagrou pela sigla do  Partido Comunista, pela coragem, independência e visão social.

Ele relata sua passagem pela Câmara, com as cores da veracidade, citando nominalmente e de forma sincera, colegas do Legislativo e outras importantes autoridades políticas da época, ampliando assim as possibilidades de conhecimento dos leitores sobre essas figuras, algumas, talvez, já no natural desvanecimento memorial popular do passar do tempo.

Todavia é na primeira parte de “Um Contador de Histórias” que o autor mostra o seu talento nato de romancista e satisfaz ao mais exigente leitor do gênero. Sem rebuscar palavras ele conta passagens de sua infância/adolescência em Serra Talhada/Pernambuco, com a crueza e o encantamento que existem nos “causos”   que para os citadinos podem parecer apenas fantasias, mas que não são. Quem teve a oportunidade de conhecer o Nordeste de décadas atrás, pode colocar, sem medo, o carimbo de autenticidade nessas historias.

Desde o nascimento daquele “menino feio”, filho do José Gonzaga e Ozana Maria, na Fazenda Jatobazinho, em Serra Talhada, Pernambuco, as coisas ocorreram de forma no mínimo curiosas, num misto de aventura folclórica e realidade. O garoto vencedor de estranhos concursos e desafios como: comer um grande cuscuz temperado com manteiga de onça, uma lata de doce, 18 ovos cozidos e chupar limões. As quedas de uma jumenta, a fratura de uma clavícula, a bicicleta Sayora, os filmes nos cines Plaza e Arte, a primeira embriaguez e figuras típicas como Mané Cuia, remetem o leitor ao maravilhoso cenário rural, do sertão pernambucano, cada vez mais distante.

E nesse relato, farto de travessuras, densidade e humor, o homem político (ex-vereador de cinco mandatos) faz brotar, de forma auspiciosa, num verdadeiro toque de magia, a qualidade ainda não exercitada, de romancista nato, ou como ele prefere dizer com simplicidade de “um contador de histórias”.  Um livro que merece aplausos desde a impecável capa de Delman Aquino, o prefácio de Clóvis Ramaiana Oliveira, orelhas de Glauco Wanderley, impressão da Editora Zarte e o rico conteúdo literário, emoldurado por indispensáveis registros fotográficos. 

Por Zadir Marques Porto.

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