Fogos artificiais: especialista explica por que algumas pessoas sofrem com o barulho.

São João e Copa do Mundo intensificam preocupação com crianças com TEA, idosos e pessoas com transtornos mentais.

Divulgação: Unifacs (v.ivash – Magnific)

Com a chegada das festas juninas em todo o Nordeste e a realização de grandes competições esportivas, como a Copa do Mundo, um elemento tradicional volta a ocupar espaço nas celebrações: os fogos de artifício. Embora sejam associados à celebração, o impacto dos estampidos vai muito além de um simples incômodo auditivo e pode representar uma importante fonte de sofrimento para diversos grupos da população.

De acordo com o psiquiatra Ivan Araújo, docente de Medicina da Universidade Salvador (UNIFACS), integrante da Inspirali, ecossistema da Ânima Educação que reúne 15 escolas médicas em diferentes regiões do país, a discussão sobre os efeitos dos fogos de artifício precisa considerar não apenas a intensidade do som, mas também a forma como o cérebro processa esses estímulos. “Existe um componente neurobiológico importante. Em indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), transtornos de ansiedade, TDAH e outras condições do neurodesenvolvimento, podem existir alterações no processamento sensorial central que fazem com que determinados sons sejam percebidos de forma muito mais intensa e aversiva do que na população geral.”

O especialista explica que um dos principais fatores desencadeadores de desconforto é a imprevisibilidade do estímulo. “Um show, uma música alta ou mesmo um trio elétrico costumam ter horário, duração e contexto previsíveis. O cérebro consegue antecipar o que vai acontecer e desenvolver mecanismos de adaptação. Com os fogos de artifício é diferente. O estampido ocorre de forma abrupta, sem aviso, em intervalos irregulares e impossíveis de prever. Essa falta de previsibilidade mantém o organismo em estado constante de alerta, como se estivesse aguardando uma nova ameaça a qualquer momento.”

De acordo com Ivan Araújo, as reações a esses estímulos podem incluir crises de ansiedade, irritabilidade, agitação psicomotora, alterações do sono, aumento da frequência cardíaca, sensação de pânico, desorganização emocional e comportamental, além de episódios de sobrecarga sensorial. “Em crianças com TEA, podem ocorrer choro intenso, comportamentos de fuga, necessidade de isolamento, aumento de estereotipias e crises de desregulação que podem persistir mesmo após o término das explosões”.

Para minimizar os impactos durante períodos de maior incidência de fogos, o especialista recomenda utilização de abafadores de ruído em pessoas sensíveis, permanência em ambientes fechados nos horários de maior exposição, fechamento de portas e janelas e, quando possível, antecipação das rotinas de sono de crianças e indivíduos mais vulneráveis aos estímulos sonoros.

Proteção e legislação

Nos últimos anos, municípios brasileiros têm avançado na criação de leis que restringem ou proíbem fogos de artifício com estampido. Em geral, essas legislações permitem apenas fogos com efeitos visuais e baixo impacto sonoro, conciliando a realização das comemorações com a promoção da saúde, da acessibilidade e do bem-estar coletivo.

“Embora o Brasil ainda não tenha uma lei federal que proíba de forma ampla os fogos com estampido em todo o território nacional, existe um movimento crescente para proteger pessoas mais vulneráveis. Essa preocupação já vem se refletindo na legislação baiana. Municípios como Casa Nova, Catu e Ilhéus aprovaram leis que restringem ou proíbem fogos com estampido, privilegiando alternativas de baixo ruído”, afirma Fernanda Ferreira, advogada e docente do curso de Direito da UNIFACS.

Do ponto de vista jurídico, a proteção desses grupos encontra respaldo em diversos dispositivos legais já existentes, como a Constituição Federal, que garante o direito à saúde e à dignidade da pessoa humana; o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015); o Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/2003); e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Além disso, tramita no Congresso Nacional um projeto de lei que propõe a proibição nacional de fogos de artifício que produzam ruídos, citando expressamente os impactos sobre crianças, idosos, pessoas com TEA e animais.

“O debate sobre os fogos de artifício deixou de ser apenas uma questão de tradição e passou a envolver direitos fundamentais. Hoje, diversas legislações municipais já reconhecem que pessoas com autismo, idosos, pacientes hospitalizados e animais merecem proteção contra ruídos excessivos, demonstrando que inclusão e respeito à coletividade também devem fazer parte das celebrações”, destaca a especialista.

Sobre a UNIFACS

Há 54 anos transformando vidas por meio da educação, a Universidade Salvador (UNIFACS) é parte do Ecossistema Ânima, o maior e mais inovador ecossistema de ensino de qualidade do país. Presente em Salvador, Lauro de Freitas e Feira de Santana, a UNIFACS oferece mais de 100 cursos de graduação e pós-graduação em todas as áreas do conhecimento, aliando tradição, inovação e compromisso social. Reconhecida como a melhor universidade privada da Bahia e uma das 10 melhores do Brasil (IGC/MEC 2021), a instituição se destaca pelo investimento contínuo em infraestrutura, tecnologia educacional e conexão com as demandas do mercado, além de possuir um corpo docente de excelência com profissionais renomados. Com mais de 15 anos em Feira de Santana, consolida sua liderança também no interior do estado. Com uma trajetória sólida e de impacto, a UNIFACS segue olhando para o futuro com a certeza de que pode fazer ainda mais pela Bahia e com a Bahia.

Saiba mais em: www.unifacs.br

Sobre a Inspirali

Criada em 2019, a Inspirali atua na gestão de escolas médicas do Ecossistema Ânima e é uma das principais empresas de ensino superior de Medicina no Brasil, com mais de 13 mil alunos e 15 instituições localizadas em São Paulo, Piracicaba, São José dos Campos e Cubatão (SP), Belo Horizonte e Vespasiano (MG), Salvador, Irecê, Jacobina, Guanambi e Brumado (BA), Florianópolis e Tubarão (SC), Natal (RN) e Tucuruí (PA). As graduações em Medicina seguem modelo acadêmico reconhecido entre os mais inovadores do mundo e pensado para formar profissionais de alta performance com uma visão integral do ser humano. Os alunos são incentivados a participarem de ações humanitárias para vivenciarem uma experiência fora de sala de aula e realizam atendimentos, desde as primeiras fases, às comunidades nos 14 Centros Integrados de Saúde (CIS) e diversos hospitais e outras unidade de saúde, em parceria com o SUS.

Sobre a Ânima Educação

Com o propósito de transformar o Brasil através da educação, a Ânima é o maior e mais inovador ecossistema de educação e impacto para o Brasil, com um portfólio de marcas valiosas e um dos principais players de educação continuada na área médica. A companhia é composta por cerca de 360 mil estudantes, distribuídos em 18 instituições de ensino superior e aproximadamente 380 polos educacionais em todo o país.  

Integradas ao Ecossistema Ânima também estão marcas especialistas em suas áreas de atuação, como HSM, HSM University, EBRADI, Le Cordon Bleu São Paulo, SingularityU Brazil, Inspirali, Community Creators Academy, Learning Village — primeiro hub de inovação e educação da América Latina — e Instituto Ânima.  

Desde 2013, a companhia está listada na Bolsa de Valores no segmento Novo Mercado, que reúne empresas com os mais elevados padrões de governança corporativa. Em 2023, a Forbes, uma das mais respeitadas publicações de negócios e economia do mundo, incluiu a Ânima entre as 10 companhias mais inovadoras do país. Além disso, a Presidente, Paula Harraca, foi reconhecida como Executiva de Valor na categoria Educação, na edição de 2026 do Prêmio Executivo de Valor, que destaca os gestores que mais se destacam à frente de empresas e organizações. ]

* FONTE: Andréa Carvalho – Ideia Comunicação.

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *